A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL APLICADA À PREVENÇÃO DE CRIMES E AO POLICIAMENTO PREDITIVO ÉTICO: UMA ANÁLISE JURÍDICO-OPERACIONAL PARA A POLÍCIA MILITAR DO PARANÁ

Autores

  • DOUGLAS ÂNGELO FERRARI Polícia Militar do Paraná
  • FLÁVIA JEANNE ´FERRARI Centro Universitário Curitiba – UNICURITIBA

Resumo

O presente artigo científico investiga a complexa intersecção entre inteligência artificial (IA), policiamento preditivo e os desafios ético-jurídicos de sua implementação no contexto da segurança pública brasileira, com foco específico na Polícia Militar do Paraná (PMPR). A crescente disponibilidade de dados e o avanço dos algoritmos de aprendizado de máquina oferecem um potencial transformador para a prevenção criminal, permitindo a otimização na alocação de recursos e a antecipação de focos de incidência delituosa. Contudo, essa promessa tecnológica é indissociável de riscos significativos, como a exacerbação de vieses discriminatórios, a violação de direitos fundamentais – notadamente a privacidade, a isonomia e a presunção de inocência – e a opacidade dos sistemas algorítmicos. O problema central de pesquisa consiste em questionar: como implementar sistemas de
policiamento preditivo baseados em IA na PMPR de forma a otimizar a alocação de recursos e prevenir crimes, sem violar preceitos éticos e garantias constitucionais? A hipótese defendida é que a implementação de um modelo de policiamento preditivo ético, customizado para a realidade sociocultural e criminal do Paraná e pautado por uma robusta governança de dados, transparência algorítmica, supervisão humana qualificada e conformidade com o ordenamento jurídico pátrio, especialmente a Constituição Federal e a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), é uma ferramenta viável para potencializar a eficiência da PMPR e a redução dos índices criminais. Por meio de uma metodologia de pesquisa bibliográfica e documental, com abordagem qualitativa e analítica, o trabalho explora os fundamentos tecnológicos do policiamento preditivo, confronta-os com o paradigma jurídico-constitucional brasileiro, analisa os desafios éticos inerentes e, por fim, propõe diretrizes concretas para uma aplicação responsável e eficaz na corporação paranaense. Conclui-se que a adoção da IA no policiamento não deve ser vista como uma panaceia, mas como uma ferramenta de apoio à decisão que exige um arcabouço regulatório e operacional rigoroso para garantir que sua utilização fortaleça a segurança pública de maneira justa, legítima e democrática.

Biografia do Autor

DOUGLAS ÂNGELO FERRARI, Polícia Militar do Paraná

Possui Bacharelado em Engenharia de Software pelo Centro Universitário Internacional - UNINTER
(2025). Graduação em Gestão Pública pelo Centro Universitário Internacional - UNINTER (2017).
Possui especializações em Direito Penal e Processo Penal (Faculdade Unina, 2022), Direito Público
(Faculdade Legale, 2020), Segurança Pública (Faculdade Unina, 2020) e Polícia Comunitária (Centro
Universitário Leonardo da Vinci UNIASSELVI, 2022). Atualmente é policial militar - Polícia Militar do
Paraná. Lattes: http://lattes.cnpq.br/6162042230506144

FLÁVIA JEANNE ´FERRARI, Centro Universitário Curitiba – UNICURITIBA

Doutoranda e Mestre em Direito Empresarial e Cidadania pelo Centro Universitário Curitiba - UNICURITIBA. Possui especializações nas áreas de Licitações e Contratos; Educação 4.0; Direito
Público; Direito Militar; Processo Civil; Direito Ambiental; Direito do Trabalho e Ministério Público -
Estado Democrático de Direito pela Fundação Escola do Ministério Público - FEMPAR em parceria com
a Universidade Positivo. Membro do repositório de Mulheres Juristas do Conselho nacional de Justiça
- CNJ. Árbitra, perita e avaliadora na Câmara da Associação dos Peritos do Paraná - APEPAR. Registro
ORCID: 0000-0002-3990-7633. Lattes: //lattes.cnpq.br/1064406440921045

Publicado

2025-10-28

Como Citar

FERRARI, D. ÂNGELO, & ´FERRARI, F. J. (2025). A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL APLICADA À PREVENÇÃO DE CRIMES E AO POLICIAMENTO PREDITIVO ÉTICO: UMA ANÁLISE JURÍDICO-OPERACIONAL PARA A POLÍCIA MILITAR DO PARANÁ. REVISTA JURÍDICA - DIREITO, JUSTIÇA, FRATERNIDADE & SOCIEDADE, 1(5), 69–92. Recuperado de https://www.revista.sentencadozero.com/index.php/rjsdz/article/view/360