TECNOPOLICIAMENTO E O ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO: LIMITES LEGAIS, RISCOS DE VIOLAÇÃO DE DIREITOS E PARÂMETROS DOUTRINÁRIOS PARA O USO DO RECONHECIMENTO FACIAL NA POLÍCIA MILITAR

Autores

  • DOUGLAS ÂNGELO FERRARI Polícia Militar do Paraná - PMPR
  • FLÁVIA JEANNE FERRARI Centro Universitário Curitiba – UNICURITIBA

Resumo

O presente artigo científico empreende uma análise exaustiva e multidisciplinar acerca da implementação e do uso de tecnologias de reconhecimento facial no âmbito da segurança pública, com enfoque detido na atuação da Polícia Militar, notadamente a Polícia Militar do Paraná (PMPR). A partir de uma matriz teórico-metodológica que congrega o Direito Constitucional, o Direito Processual Penal, a Filosofia da Ciência e a Teoria da Proteção de Dados Pessoais, o trabalho investiga a tensão intrínseca entre o imperativo de eficiência estatal na persecução criminal e a salvaguarda inegociável dos direitos fundamentais dos cidadãos. O problema de pesquisa central indaga em que medida a utilização de algoritmos biométricos, desprovidos de um arcabouço regulatório específico e de protocolos operacionais estritos, vulnera garantias como a presunção de inocência, a privacidade e a isonomia, materializando o fenômeno do racismo algorítmico e do falso positivo. A hipótese sustentada postula que a tecnologia não é neutra, refletindo assimetrias socioculturais que, se não mediadas por um rigoroso controle de legalidade e pelo crivo do fator humano (human-in-the-loop), subvertem a finalidade da segurança pública. O artigo desenvolve uma crítica construtiva institucional, rejeitando a refutação sumária da tecnologia, mas propondo parâmetros doutrinários e soluções operacionais concretas para que a PMPR utilize o reconhecimento facial como ferramenta acessória, e não decisória, consolidando seu papel de garantidora primeira do Estado Democrático de Direito.

Biografia do Autor

DOUGLAS ÂNGELO FERRARI, Polícia Militar do Paraná - PMPR

Possui Bacharelado em Engenharia de Software pelo Centro Universitário Internacional - UNINTER (2025). Graduação em Gestão Pública pelo Centro Universitário Internacional - UNINTER (2017). Possui especializações em Direito Penal e Processo Penal (Faculdade Unina, 2022), Direito Público (Faculdade Legale, 2020), Segurança Pública (Faculdade Unina, 2020) e Polícia Comunitária (Centro Universitário Leonardo da Vinci UNIASSELVI, 2022). Atualmente é policial militar - Polícia Militar do Paraná. Lattes: http://lattes.cnpq.br/6162042230506144

FLÁVIA JEANNE FERRARI, Centro Universitário Curitiba – UNICURITIBA

Doutoranda e Mestre em Direito Empresarial e Cidadania pelo Centro Universitário Curitiba-UNICURITIBA. Possui especializações nas áreas de Licitações e Contratos; Educação 4.0; Direito Público; Direito Militar; Processo Civil; Direito Ambiental; Direito do Trabalho e Ministério Público -Estado Democrático de Direito pela Fundação Escola do Ministério Público - FEMPAR em parceria com a Universidade Positivo. Membro do repositório de Mulheres Juristas do Conselho nacional de Justiça - CNJ. Árbitra, perita e avaliadora na Câmara da Associação dos Peritos do Paraná - APEPAR. Registro ORCID: 0000-0002-3990-7633. Lattes: //lattes.cnpq.br/1064406440921045

Publicado

2026-06-30

Como Citar

FERRARI, D. ÂNGELO, & FERRARI, F. J. (2026). TECNOPOLICIAMENTO E O ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO: LIMITES LEGAIS, RISCOS DE VIOLAÇÃO DE DIREITOS E PARÂMETROS DOUTRINÁRIOS PARA O USO DO RECONHECIMENTO FACIAL NA POLÍCIA MILITAR. REVISTA JURÍDICA - DIREITO, JUSTIÇA, FRATERNIDADE & SOCIEDADE, 1(2), 28–43. Recuperado de https://www.revista.sentencadozero.com/index.php/rjsdz/article/view/496