A DUPLA FACE DE JANUS: TECNOLOGIA, INOVAÇÃO E O IMPERATIVO DA GOVERNANÇA DEMOCRÁTICA EM PROJETOS DE SEGURANÇA PÚBLICA

Autores

  • Douglas Angelo Ferrari
  • Priscila Luciene Santos de Lima

Palavras-chave:

Segurança Pública, Tecnologia, Direitos Fundamentais, Governança Algorítmica, Proteção de Dados

Resumo

O presente artigo jurídico-científico realiza uma análise aprofundada e multifacetada sobre as complexas e, por vezes, antagônicas intersecções entre a vertiginosa adoção de tecnologias emergentes em projetos de segurança pública e a imperativa salvaguarda do arcabouço de direitos e garantias fundamentais consolidado no ordenamento jurídico brasileiro. Em face da crescente e, frequentemente, acrítica implementação de ferramentas de alta capacidade tecnológica – como sistemas de Inteligência Artificial para reconhecimento facial biométrico e policiamento preditivo, análise de Big Data, veículos aéreos não tripulados (drones) e câmeras corporais (bodycams) – emerge uma aguda tensão dialética. De um lado, a promessa de uma otimização sem precedentes da eficiência estatal na prevenção, investigação e repressão da criminalidade; de outro, a ameaça concreta de erosão de garantias constitucionais basilares, como a privacidade, a intimidade, a presunção de inocência, a isonomia e o devido processo legal. A
pesquisa, de natureza qualitativa e desenvolvida por meio de método hipotético-dedutivo, com base em exaustiva revisão bibliográfica e documental, investiga os fundamentos e os limites constitucionais e legais que balizam o uso dessas tecnologias. Aprofunda-se nas intrincadas implicações jurídicas daí decorrentes, com especial enfoque na controversa aplicabilidade da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) ao setor, nos desafios epistemológicos e processuais da prova algorítmica e na complexa imputação de responsabilidade por danos causados por sistemas autônomos. Ademais, o trabalho explora com densidade os aspectos éticos,
sociológicos e políticos, notadamente o risco sistêmico de vieses algorítmicos discriminatórios, que perpetuam e opacificam o racismo estrutural, e o progressivo estabelecimento de uma sociedade de controle panóptico. Por fim, o artigo não se limita ao diagnóstico, mas avança para o campo propositivo, analisando e defendendo a construção de modelos de governança tecnológica como único caminho para a harmonização do binômio segurança-liberdade. Sustenta-se que a legitimidade de tais inovações depende da edificação de um ecossistema regulatório robusto, fundado nos pilares da transparência radical, da accountability efetiva, da equidade algorítmica e do controle social-democrático.

Biografia do Autor

Douglas Angelo Ferrari

Possui graduação em Gestão Pública pelo Centro Universitário Internacional (2017), especialização
em Atualização Profissional em Polícia Comunitária pelo Centro Universitário Leonardo da Vinci (2022),
especialização em Direito público pela Faculdade Legale(2020), especialização em Segurança pública
pela FACULDADE UNINA (2020) e especialização em Direito Penal e Processo Penal pela
FACULDADE UNINA (2022). Atualmente é Policial Militar da Policia Militar do Paraná. 

Priscila Luciene Santos de Lima

Pós-doutora em Novas Tecnologias e Direito pela Università Mediterranea di Reggio Calabria - ITÁLIA.
Realizando estágio Pós-doutoral no Programa de Pós-Graduação em Ciências Jurídicas da
Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Doutora em Direito Político e Econômico pela Universidade
Presbiteriana Mackenzie (MACKENZIE). Mestre em Direito Empresarial e Cidadania pelo Centro
Universitário Curitiba (UNICURITIBA). Diretora Editorial e Conselheira de inúmeros periódicos
científicos, nacionais e internacionais. Associada e Integrante do Cadastro Nacional e Internacional de
Avaliadores do Conselho Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Direito (CONPEDI).

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Publicado

2025-06-30

Como Citar

Ferrari, D. A., & Lima, P. L. S. de. (2025). A DUPLA FACE DE JANUS: TECNOLOGIA, INOVAÇÃO E O IMPERATIVO DA GOVERNANÇA DEMOCRÁTICA EM PROJETOS DE SEGURANÇA PÚBLICA. REVISTA JURÍDICA - DIREITO, JUSTIÇA, FRATERNIDADE & SOCIEDADE, 1(2), 182–195. Recuperado de https://www.revista.sentencadozero.com/index.php/rjsdz/article/view/243

Edição

Seção

Artigos